A procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes, 66, foi condenada nesta quinta-feira a oito anos e dois meses de prisão por ter torturado uma menina de dois anos que estava sob sua guarda à espera de adoção. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, ainda cabe recurso.
A decisão foi tomada pelo juiz Mario Henrique Mazza, da 32ª Vara Criminal do Rio. Em sua decisão, ele destacou a existência de fotos, em que a criança "aparece com múltiplas lesões provocadas por ação contundente, principalmente no rosto e na região dos olhos, parecendo que tinha acabado de sair de uma luta de boxe".
A criança agredida ficou sob a guarda da procuradora por cerca de um mês. No dia 15 de abril, uma equipe da Vara da Infância, acompanhada de uma juíza, uma promotora e um oficial de Justiça, foi à casa da procuradora. Machucada, a menina foi levada para o hospital municipal Miguel Couto, na Gávea (zona sul). Com os olhos inchados, ela precisou ficar três dias internada.
A denúncia (acusação formal) contra a procuradora foi feita no começo de maio pelo Ministério Público, que pediu sua prisão preventiva. Os promotores responsáveis pela acusação afirmam que ela submeteu a criança "a intenso sofrimento físico e mental, agredindo-lhe de forma reiterada, como forma de aplicar-lhe castigo pessoal". Gomes nega que tenha agredido a menina e diz que só gritou com ela para educá-la.
Na época da prisão, Vera Lúcia chegou a afirmar desconhecer a origem dos machucados na criança. "Há apenas um fato verdadeiro na denúncia. Eu realmente xinguei a menina por estar muito nervosa. Me arrependo profundamente. Nunca bati nela, nunca a agredi", afirmou ela.
Na decisão de hoje, o juiz destacou que as punições aplicadas contra a menina pode ter deixado "profundas marcas e provocado transtornos e distúrbios". Ele recomendou ainda que ela passe por acompanhamento psicológico permanente.
Fonte: www.folha.uol.com.br